10 DE OUTUBRO DE 2020.

Prezadas e prezados capoeiristas participantes da reunião organizada por mestre Roxinho no dia 07/07/2020.

DEMANDA DE RESPOSTA À COMUNIDADE

As denúncias de violência sexual encaminhadas por duas mulheres capoeiristas que envolvem um mestre de capoeira angola internacionalmente conhecido deslancharam diversas reações na comunidade da capoeira: solidariedade com as vítimas, indignação e questionamentos. Uma destas manifestações foi a elaboração de uma CARTA DE REPÚDIO E EXIGÊNCIA DE REPARAÇÕES coletivamente construída por mulheres capoeiristas (https://mariasfelipas.com/2020/03/18/carta-de-repudio/ ).

Essa carta teve o apoio de vários segmentos sociais, que, compartilharam sua indignação e enfrentamento aos atos de violências sexuais e sexistas praticados por homens capoeiristas. Foram mais de 500 (quinhentas) assinaturas colhidas e entende-se que tamanha mobilização não pode ser ignorada e precisa de respostas. 

A referida carta para além do repúdio, justamente manifesto, exigia que o agressor:

  1. Assumisse as violências cometidas e se retratasse, publicamente, através de um vídeo que possa ser, livremente, compartilhado nas redes sociais;
  2. Fizesse parte de um espaço socioeducativo sobre relações de gênero antes de voltar a exercer seu papel de mestre de capoeira e educador social;
  3. Promovesse espaços de formação sobre masculinidade tóxica e formas de enfrentamento e combate à violência contra mulheres;
  4. Propusesse espaços que tratem da saúde mental de homens e mulheres como forma de reparar as violências cometidas.

A iniciativa dessa ação rompeu com a blindagem comumente dispensada a lideranças da capoeira que recorrentemente se utilizam de suas posições de poder e praticam violências contra mulheres de seus grupos e de outros espaços. Um grande silêncio foi quebrado e indicou a possibilidade de combater e superar tais práticas de violências. 

Importante dizer que este caso não é único e tampouco isolado no universo da capoeira. Devido a visibilidade dos envolvidos, causou um expressivo debate sobre inúmeras violências sexistas e sexuais dentro e fora da roda e também sobre a impunidade dos agressores.

Um período de 07 (sete) meses se passou desde a exposição da primeira denúncia. Soubemos através de declarações públicas de alguns mestres de capoeira que se pretendia elaborar um espaço de resolução desse conflito em um formato condizente com a cultura de matriz africana, segundo argumentaram.  Agora, queremos saber quais foram as medidas tomadas pela comunidade da capoeira representada por Mestres, Mestras, Instituições Sociais e Religiosas que se reuniram no dia 07 de junho de 2020 para tratar deste caso. 

Para além deste caso, queremos saber, também, como serão tratadas outras denúncias. Foi elaborado um protocolo de ações a serem tomadas em situações como esta? Haverá espaços na capoeira para denúncia, acolhimento e enfrentamento às violências, ou seja, foi ou será constituído um coletivo de capoeiristas para tratarem de outros casos? Quais ações punitivas serão tomadas para que se possa fazer  justiça diante das violências sexuais praticadas na capoeira?

QUEREMOS UMA RESPOSTA PÚBLICA E QUE SEJA ACESSÍVEL À TODA COMUNIDADE DA CAPOEIRA.

2 comentários em “

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